Armando critica superpopulação carcerária de Pernambuco, mas exagera
Luiz Silveira/Agência CNJ
PTB - Armando Monteiro

Armando critica superpopulação carcerária de Pernambuco, mas exagera

Estado tem o maior déficit percentual de vagas prisionais do Brasil: 201,33%. São 28.243 presos (e não 30 mil) disputando o espaço de 9.908 vagas

Debate da Rádio Jornal em Pernambuco Segurança Pública

Raíssa Ebrahim
2 minutos

“(São) 30 mil detentos e, em condições normais, só teríamos condições de oferecer 10 mil vagas” – Armando Monteiro em debate na Rádio Jornal, no dia 28 de agosto

O problema da superpopulação carcerária de Pernambuco foi um dos temas do primeiro debate entre os candidatos ao governo do estado, nesta terça (28) na Rádio Jornal. Questionado sobre o que fará, caso eleito, o candidato Armando Monteiro (PTB) exagerou ao falar dos dados.

Ao todo, 28.243 presos (e não 30 mil) disputam espaço em 84 estabelecimentos prisionais, que, juntos, só deveriam manter 9.908 pessoas.

A metodologia do Truco nos Estados – projeto de fact-checking da Agência Pública, que em Pernambuco tem parceria com a Marco Zero Conteúdo – adota uma margem de arredondamento de até 5% de variação porcentual. Nesse caso, a variação foi de 6,2%. O selo atribuído é, portanto, “Exagerado”.

O que não significa, claro, que o problema é menos grave.  Na verdade, o Estado tem o maior déficit percentual de vagas prisionais do Brasil.

Os números usados por Armando, segundo a assessoria de imprensa – que destacou o arredondamento do candidato -, são do sistema Geopresídios, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que reúne um panorama das principais unidades prisionais do Brasil. Essas informações são atualizadas mensalmente.

Como aponta o Geopresídios, Pernambuco tem atualmente o maior déficit percentual de vagas prisionais do Brasil: 201,33% – em números absolutos, é déficit de 19.948 vagas. O segundo pior resultado é de Roraima: 134,05%. Depois vem o Distrito Federal: 116,12%.

Confira o ranking completo:

Candidato discorda

Sobre a escolha do selo “Exagerado”, a assessoria de Armando Monteiro respondeu: “Nós discordamos do critério metodológico do arredondamento, mas achamos importante o mecanismo de checagem de dados e acreditamos que esse é um dos caminhos para o aperfeiçoamento do processo eleitoral”.

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