Carantino erra motivo de paralisação do Acquário Ceará

Ao contrário do que afirma o candidato, a obra teve sua paralisação decretada por erros em medições, falta de pagamentos e indícios de improbidade administrativa.

Lazer Obras Política

Thays Lavor, Rômulo Costa, Carolina Capelo
3 minutos

“O Acquário, como outras obras aí, acabaram parando por conta do golpe! “, Mikaelton Carantino em entrevista ao jornal O Povo Online , transmitida via Live no Facebook do veículo, no último dia 13 de agosto.

Na última segunda-feira, 13, o candidato ao governo do Ceará pelo Partido da Causa Operária (PCO) fez diversas críticas ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o qual ele classificou como uma das etapas do “golpe”. Como resultado desse processo – que para ele teve início em 2014, tendo como ápice a deposição da petista, e continua em curso com as Reformas da Previdência e Trabalhista promovidas pelo governo Temer -, ele aponta a queda da arrecadação e consequentemente a paralisação de diversas obras pelo país. Dentre elas, a do Acquário Ceará. O Truco nos Estados – projeto de checagem de fatos da Agência Pública, também realizado no Ceará – apurou a declaração e constatou que a paralisação ocorreu em 2015, ou seja, antes do governo Temer, iniciado em 2016.

Iniciadas em 2012, a obra tinha previsão de custo de US$ 150 milhões e entrega em 2017. FOTO: Arquivo da Assembleia Legislativa do CE

Conforme publicação no Diário Oficial do Estado do Ceará (DOECE), do dia 13 de fevereiro de 2015, as obras foram interrompidas por determinação do secretário de Turismo do Estado, Arialdo Pinho. A ordem veio após pedido da empresa americana ICM Reynolds. À época, em entrevista para a Folha de São Paulo, o secretário de turismo Arialdo Pinho informou que a ICM Reynolds alegou haver erros em medições e falta de alguns pagamentos.

O Acquário Ceará  teve as obras iniciadas em 2012, com a previsão de um custo de US$ 150 milhões e prazo para conclusão em julho de 2017. Em 2013, o contrato foi questionado pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MP-CE), que apontou indícios de improbidade em dispensa de licitação.

Recentemente o governo anunciou uma Parceria Público Privada (PPP) para viabilizar a retomada da construção do empreendimento. Estima-se um investimento de R$ 600 mi. A decisão pela concessão do Acquario para a iniciativa privada veio após vários questionamentos do MP-CE e o Ministério Público Federal.

Com base nas publicações do DOECE e na imprensa, concluímos que o motivo para paralisação das obras do Acquario não deve-se ao motivo apontado pelo candidato. Por essa razão, o Truco nos Estados – serviço de checagem da Agência Pública, realizado em sete estados, incluindo o Ceará – atribui o selo de Falso à frase de Carantino.

Conforme a metodologia do Truco, entramos em contato com o candidato informando o selo atribuído a checagem, para que o mesmo pudesse dar algum posicionamento. Por meio de mensagem de Whatsapp, Carantino deu o seguinte retorno: “O que vocês estão fazendo é a distorção sistemática da realidade. Não contem comigo para legitimar isso”.

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