Dani contradiz Paulo sobre mortalidade infantil, mas usa informações desatualizadas
Agência Brasil
PSOL - Danielle Portela

Dani contradiz Paulo sobre mortalidade infantil, mas usa informações desatualizadas

A taxa aumentou entre 2015 e 2016, mas voltou a cair em 2017, registrando o melhor resultado desde 1990

Debate da Rádio Jornal em Pernambuco Saúde

Raíssa Ebrahim
4 minutos

“Diferente do que foi dito (por Paula Câmara), a mortalidade não diminuiu, ela voltou a crescer” – Dani Portela (PSOL), no debate da Rádio Jornal, no dia 28 de agosto

Entre 2015 e 2016, a Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) em Pernambuco – assim como na média nacional – apresentou um aumento, num movimento contrário ao que vinha sendo registrado desde 1990, quando teve início a série histórica do Ministério da Saúde (MS). No entanto, ela voltou a cair em 2017, atingindo o menor nível da história no estado.

Pernambuco fechou 2017 com uma TMI de 13,7%, segundo nota técnica do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde de Pernambuco (Cievs/PE), unidade da Rede Nacional de Monitoramento e Respostas às Emergências em Saúde Pública, publicada em 3 de agosto. Até o momento, esses dados não constam no sistema de informações do Governo Federal, o Datasus. Em 2016, essa taxa havia sido de 15,7%. E, em 2015, de 14,5%.

A fala da candidata do Psol, Dani Portela, ao final do debate, quando questionada por um radialista sobre o assunto, foi um contraponto ao que o governador e candidato à reeleição, Paulo Câmara (PSB), havia citado no início do debate, quando afirmou “Nós fizemos Pernambuco ter a menor taxa de mortalidade infantil de toda a sua história, foi justamente o ano de 2017”.

É “Falso”, portanto, o selo atribuído à frase de Dani Portela pelo Truco nos Estados – projeto de fact-checking da Agência Pública que tem como parceiro em Pernambuco a Marco Zero Conteúdo.

A assessoria de imprensa da candidata informou que Dani se baseou em dados do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde, dando ainda como referência uma matéria que saiu na imprensa em julho deste ano. Mas como já há dados de 2017, a psolista estava desatualizada.

Confira a série histórica da Taxa de Mortalidade Infantil em Pernambuco e no Brasil (o dado nacional de 2017 ainda não está publicado):

A TMI é calculada dividindo-se o número de óbitos de residentes com menos de um ano de idade pelo número total de nascidos vivos de mães residentes, multiplicado por mil.

Zika Vírus

Entre 2015 e 2016, verificou-se um aumento de 5,3% da TMI no Brasil. Em Pernambuco, essa elevação, no mesmo período, foi de 7,5%. Todas as regiões acompanharam essa tendências, com exceção da região Sul, que reduziu 3,8% nesse período.

É interessante notar que a taxa aumentou entre 2015 e 2016 embora o número de óbitos de menores de um ano de idade tenha caído 3,4%. Isso porque também houve queda, de 8,4%, no número de nascidos vivos de mães residentes. Já que há uma relação inversamente proporcional, se o número de nascidos vivos cai, então a taxa sobe.

A Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) ressalta que, nesse período, “o estado registrou uma epidemia da Síndrome Congênita do Zika Vírus (SCZ) e o desconhecimento dos seus efeitos, acrescido dos fatores condicionantes para ocorrência dos óbitos infantis, pode justificar, em parte, o aumento da taxa em 2016”.

Apesar de os casos atuais não configurarem uma epidemia, como em 2016 – quando centenas de crianças nasceram com microcefalia, em decorrência de mães infectadas com o vírus – ainda há risco de surtos isolados no estado. Esse risco cresce em localidades onde não foram registradas explosões de casos, já que, teoricamente, uma pessoa não volta a ser infectada.

Dados do Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), do Ministério da Saúde, coletados entre janeiro e março, apontam risco de infestação pelo Aedes aegypti, vetor de transmissão de dengue, zika e chikungunya, em 78 municípios pernambucanos. Pernambuco tem 184 municípios.

Resposta da assessoria na íntegra

“A informação sobre os números da mortalidade infantil em 2017 não eram de domínio público no ato do debate. Tanto que o próprio Datasus não tinha a informação disponível, somente a de 2016. Infelizmente ao sairmos do estúdio da rádio, vimos as primeiras publicações com o quantitativo de 2017, ficando impossível de corrigir no ar.”

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