Doutor Rosinha usa dados desatualizados sobre mortalidade materna no Paraná

É verdade que em 2016 o Paraná teve o pior resultado do Sul; em 2017, porém, estado reverteu série histórica

Saúde

José Lázaro Jr.
3 minutos

“Dos três estados do Sul, o Paraná é o que tem maior índice de mortalidade materna”, declarou Doutor Rosinha, do PT, durante o primeiro debate entre candidatos ao governo do Paraná, realizado pela Band em 16 de agosto.

Consultado pelo Truco nos Estados, projeto de fact-checking da Agência Pública, feito no Paraná em parceria com o Livre.jor, o candidato admitiu que tinha em mente reportagens feitas com base em números de 2016 do Ministério da Saúde.

Naquele ano, de fato, o Paraná tinha o pior indicador da região Sul do Brasil. Só que em 2017 a situação virou, e o estado evitou mais mortes maternas que Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Este é o dado mais recente disponível.

Por não ter dito a que ano se referia durante o debate da Band, no dia 16 de agosto, e se tratar de um número que não é mais correto,  a afirmação foi classificada como falsa.

Os dados mais recentes, apurados pela Divisão de Informações Epidemiológicas do Paraná, foram apresentados num evento público em abril passado.

Em 2017, a RMM do Paraná foi de 20,3, bem abaixo dos resultados obtidos por Santa Catarina (33,7) e Rio Grande do Sul (31,1). RMM é a sigla para “razão da mortalidade materna”, que é o indicador obtido da divisão do número de mortes maternas pela quantidade de nascidos vivos multiplicada por 100 mil. No ano passado, a RMM média nacional foi de 52,2.

O governo do estado atribui a redução das mortes maternas à parceria com o Banco Mundial, que aplicou R$ 630 milhões na rede de saúde. As gestantes são submetidas à avaliação de risco da gravidez no início do processo e, dentro do programa Mãe Paranaense, o objetivo é que passem por pelo menos sete consultas e 23 exames.

Já foi bem maior – Uma apresentação preparada da Secretaria da Saúde do Paraná, da qual o Truco nos Estados retirou o gráfico abaixo, mostra a RMM dos estados do Sul desde 2010. Durante seis anos o Paraná teve um desempenho pior que Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com exceção de 2012. Em 2010, esteve abaixo da média nacional. De lá a 2017, foi registrada uma queda de 50,6% na mortalidade materna.

Em 2016, o Paraná registrou uma RMM de 47,1, acima de Santa Catarina (30,4) e Rio Grande do Sul (36,1). A situação era mais crítica nas regionais de Paranaguá, Jacarezinho, Umuarama, Pato Branco e Ivaiporã. Apenas a última continua com RMM superior a 100; todas as demais viram uma melhora, que refletiu no resultado positivo obtido ano passado.

Candidato discorda – “Os dados utilizados pela Agência Pública foram apresentados pela Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, mas ainda não foram validados pelo Ministério da Saúde”, disse a assessoria do candidato, em resposta ao selo atribuído à afirmação dele pelo Projeto Truco.

Doutor Rosinha argumentou que os comitês responsáveis pela medição da mortalidade materna e infantil deixaram de contar com a participação de membros da sociedade civil durante a gestão do ex-governador Beto Richa, do PSDB (2011-2018). “Atualmente, são compostos apenas por técnicos da secretaria. Portanto, há motivos para se desconfiar desses números”.

“Afinal, de acordo com os índices utilizados pela Pública, o Paraná teria derrubado a taxa de mortalidade materna para menos da metade em um ano (de 47,1 para 20,3 para cada cem mil nascidos vivos). Que política de saúde pública seria, racionalmente, capaz de tal feito?”, questionou.

Ele disse preferir os números validados pelo Ministério da Saúde, relativos a 2016, e disponíveis para qualquer cidadão que queira consultá-los.

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