Paulo Skaf exagera estatísticas de criminalidade em SP

Candidato do MDB superestimou dados de homicídio, estupro e roubo de carga no estado

Segurança Pública em São Paulo Segurança Pública Violência Violência contra a mulher

Caroline Ferrari
3 minutos

“[Em uma hora, no estado de São Paulo], pelo menos uma pessoa vai ter sido baleada ou esfaqueada, uma mulher violentada, roubo de carga no mínimo 1,4.” – Paulo Skaf (MDB), em entrevista à rádio Jovem Pan.

O candidato ao governo do estado de São Paulo Paulo Skaf (MDB) afirmou que a cada hora uma pessoa é baleada ou esfaqueada, pelo menos uma mulher é violentada e no mínimo 1,4 roubo de carga acontecem no estado de São Paulo. O Truco nos Estados – projeto de checagem de informações da Agência Pública, que está cobrindo a disputa para governador em São Paulo e em outras seis unidades da Federação – verificou a afirmação  de Skaf e a classificou como exagerada.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do emedebista, solicitando a fonte da informação, e foi comunicada que Skaf utilizou como referência os dados estatísticos do ano de 2017 da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo. A assessoria do candidato acrescentou que na informação sobre pessoas baleadas foram somados os indicadores referentes a homicídio, tentativa de homicídio e latrocínio. O uso desses dados, no entanto, não é correto para identificar o total de baleados ou esfaqueados. Isso porque há vítimas de acidente de trânsito, por exemplo, dentro dessas categorias, que não especificam em detalhe o que houve com as vítimas.

Segundo as estatísticas da secretaria, em 2017 foram registrados 3.294 homicídios dolosos (que incluem mortos em acidentes de trânsito), 334 latrocínios e 3.813 tentativas de homicídio no estado de São Paulo, totalizando 7.441 ocorrências. Quando esse valor é dividido por horas, o total é de 0,84. Ou seja, mesmo se fosse considerada correta a soma das três categorias, sequer chegaríamos a um baleado por hora em 2017.

Também não existem dados estatísticos específicos sobre esfaqueamento. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a ocorrência pode ser notificada em várias categorias, como tentativa de homicídio, lesão corporal seguida de morte, latrocínio ou violência contra a mulher. A soma de todas elas incluiria vítimas que morreram por outros motivos, o que inviabiliza o cálculo.

Em 2017 houve 3.509 estupros, equivalentes a 0,4 a cada hora – nessa categoria estão as mulheres que foram violentadas, citadas por Skaf. Não é correto somar a essa categoria a de estupro de vulnerável, por envolver violência cometida contra menores de ambos os gêneros – houve 7.580 casos desse tipo. Foram registrados ainda 10.584 roubos de carga no ano passado, ou 1,20 por hora. Todos os números citados por Skaf foram superestimados em relação aos dados reais.

Informada sobre o resultado da checagem, a assessoria do candidato contestou o resultado, por meio de uma nota: “Em 2017, a Secretaria de Segurança Pública divulgou 7.704 registros de pessoas mortas ou feridas com a intenção de matar, que corresponde ao número de vítimas de homicídios, vítimas de latrocínio, casos de lesão corporal seguida de morte e de tentativas de homicídio. Isso resulta em 0,88 pessoa morta/ferida por hora; considerando que não existe ‘0,88 pessoa’, e principalmente que, nos casos de lesão corporal seguida de morte e de homicídio tentado, a Secretaria de Segurança Pública omite a quantidade de pessoas vítimas (um caso pode ter mais de uma vítima), é absolutamente coerente afirmar que uma pessoa foi baleada ou esfaqueada por hora em São Paulo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, ocorreram 11.089 estupros em 2017, logo, 1,3 estupro por hora. Novamente, é absolutamente plausível afirmar que a cada 1 hora uma mulher é violentada. Principalmente porque sabemos que este número é extremamente subnotificado (algo em torno de 10 casos para 1 registro. Quanto aos roubos de carga, de fato o número correto é 1,2 por hora e não 1,4. Há de se considerar que os números são próximos e que não foram incluídos os casos de furto de carga, que a Secretaria de Segurança Pública omite.”

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