PCO não foi o único partido que cresceu na eleição de 2016

Edson Dorta usou dado falso; legenda não conseguiu eleger nenhum candidato e só registrou aumento de 6,91% em filiados na comparação com 2012

Eleições Política

Anna Beatriz Anjos
2 minutos

“Foi feita uma própria análise do balanço das eleições [de 2016], e o único partido que cresceu (…) foi o Partido da Causa Operária.” – Edson Dorta (PCO), durante conferência estadual do partido.

O candidato do PCO ao governo de São Paulo, Edson Dorta, disse, em convenção da sigla no estado, que, apesar da escassez de recursos, seu partido foi o único a crescer nas eleições de 2016. O Truco nos Estados – projeto de fact-checking da Agência Pública, que analisa a disputa eleitoral para governador em sete unidades da Federação – verificou a declaração. A afirmação é falsa.

A assessoria de imprensa do sindicalista não indicou a fonte da informação citada, nem os critérios que explicariam o suposto crescimento do partido. Foram considerados, então, dois fatores para apurar a veracidade da fala de Dorta: a quantidade de candidatos eleitos pela legenda nas eleições de 2012 e 2016 e o número de filiados em novembro daqueles dois anos, logo após o encerramento das disputas. Deste modo, a análise leva em conta não somente o desempenho eleitoral da agremiação, mas também um indicador relacionado aos filiados. Considerar a soma total de votos obtidos pelo PCO no país seria errado, porque as disputas foram locais.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PCO não conseguiu eleger vereadores ou prefeitos nem em 2012, nem em 2016 – no último pleito, apenas um partido além dele passou em branco, o PSTU. Este fato já contraria a fala de Dorta, pois, neste aspecto, o partido não cresceu, mas manteve o desempenho de um pleito para o outro. O campeão em elevação da marca de candidatos eleitos foi o Podemos, antigo PTN: em 2012, a sigla emplacou 428 vereadores e 12 prefeitos; em 2016, foram 764 vereadores e 30 prefeitos. Isso representa um crescimento de 78,5% e 150%, respectivamente.

O PCO até ganhou filiados no período entre as duas disputas eleitorais – passou de 2.748 em novembro de 2012 para 2.938 no mesmo mês de 2016, um aumento de 6,91% –, mas nem de longe foi a agremiação com maior evolução nesse quesito, ocupando somente a 19ª posição entre os 30 partidos existentes em 2012. Ao longo de 2017, o PCO encolheu de tamanho, chegando a 2.912 filiados em março deste ano – menor índice desde o pleito de 2016. A legenda só cresceu de novo em abril, passando a 3.743 filiados, de acordo com os números divulgados pelo TSE. Em maio, contudo, o PCO voltou a diminuir e chegou a 3.738 filiados – o número manteve-se em junho, último dado disponível.

O Patriota, antigo PEN, foi o partido que mais se destacou na comparação das últimas duas disputas municipais. Nas eleições de 2012, a sigla contava com 249 filiados e quatro anos depois declarou à Justiça Eleitoral ter 72.675 apoiadores formais, avanço equivalente a 29.086,75%. O Patriota é seguido por outras legendas que progrediram significativamente nesse tópico: o PPL ampliou seu quadro de filiados em 166,61%; o PSOL, em 82,53%; e o PSD, em 75,81%.

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