Chequer exagera taxa de pacientes que não vão a consultas
Ciete Silvério/A2IMG
NOVO - Rogério Chequer

Chequer exagera taxa de pacientes que não vão a consultas

Candidato disse que ausência após agendamento nas unidades de saúde do estado chega a 30%, mas número é de 19%

Saúde

Anna Beatriz Anjos
3 minutos

“A taxa de pessoas que não vão [às consultas] chega a 30%.” – Rogério Chequer (NOVO), em entrevista à Rádio POP FM.

O candidato do partido NOVO ao governo paulista, Rogério Chequer, afirmou que 30% das pessoas que agendam consultas médicas na rede estadual de saúde não se apresentam no dia e horário marcados. O Truco nos Estados – projeto de fact-checking da Agência Pública – analisou a declaração e concluiu que é exagerada. Ela traz um dado superdimensionado sobre um fato verdadeiro, já que o absenteísmo – o não comparecimento, sem aviso, do paciente a um procedimento agendado – realmente ocorre e é alvo de ações das autoridades da saúde.

Durante a entrevista em que citou o porcentual, Chequer contextualizou a informação citando o caso de Lorena, cidade localizada a cerca de 20 quilômetros de Aparecida. Ele mencionou uma reportagem sobre a ausência de pacientes em consultas marcadas no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) da cidade e disse que a mesma situação “acontece no estado inteiro”. Para tratar dessa questão, propôs o desenvolvimento de um sistema que permita ao cidadão cancelar agendamentos e apontou a taxa de absenteísmo estadual, que seria de 30%.

AMEs são unidades geridas pelo estado. Oferecem exames, consultas e, em alguns casos, contam com centro cirúrgico e hospital dia para pequenas e médias cirurgias – os chamados AMEs Mais. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, existem hoje em São Paulo 55 AMEs, dos quais 35 são AMEs Mais.

A assessoria de imprensa do candidato indicou como fonte da afirmação uma reportagem publicada pelo portal G1 sobre o aplicativo “Agenda Fácil”, lançado em março pelo ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB). Na ocasião, o tucano disse que o absenteísmo na rede municipal era de 34%. A equipe de Chequer declarou ainda que consultou “ex-secretários de Saúde do estado para checar a informação”. A resposta da assessoria de imprensa do ex-líder do movimento Vem Pra Rua mostra que ele confundiu redes sob responsabilidade da prefeitura e do estado, pois apontou a taxa de absenteísmo do município de São Paulo ao se referir a unidades estaduais.

Município X estado

A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo confirmou ao Truco que, segundo dados preliminares de 2018, entre exames e consultas cirúrgicas, de atenção básica e especializadas, há 32,2% de absenteísmo na rede de saúde da cidade de São Paulo. Porém, essa taxa se refere à rede municipal de saúde, que não tem ingerência do estado. Já a Secretaria Estadual de Saúde informou que, nas unidades do estado, a taxa cai para 19% nas primeiras consultas e para 17% nas de retorno – números inferiores aos 30% citados por Chequer.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a atenção básica é atribuição dos municípios – são as Unidades Básicas de Saúde (UBS) que realizam consultas. Ao estado compete o atendimento especializado de maior complexidade, ofertado por hospitais estaduais, AMEs e serviços filantrópicos.

Em notas enviadas à reportagem, ambas as secretarias frisaram a importância de se diminuir o absenteísmo para melhorar o atendimento. A pasta estadual informou que “desenvolve diversas ações para combater o absenteísmo, com medidas de conscientização e orientação direcionada tanto a serviços da rede básica de saúde quanto diretamente aos cidadãos.”

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