General Theophilo erra ao comparar taxas de homicídio do Ceará com a Síria

Com 59,1 assassinatos a cada 100 mil habitantes, o Ceará é o terceiro estado brasileiro com a pior taxa de homicídios, mas está longe das mais de 200 mortes por 100 mil/habitantes registradas na Síria

Segurança Pública Violência

Rômulo Costa, Thays Lavor, Carolina Capelo
3 minutos

“Nós devemos estar em torno de 60 [assassinatos] para cada 100 mil [habitantes], que é o índice da Síria, um país que está em guerra civil”, General Theophilo durante sabatina do grupo O Povo no dia 3 de setembro.

O candidato General Theophilo (PSDB) afirmou, durante sabatina do grupo O Povo, que os índices de assassinatos no Ceará são comparáveis com os da Síria, país em guerra civil desde 2011. Ao falar do índice estadual, o tucano usou um dado aproximado que está correto, mas errou ao comparar às mortes devido à violência na Síria. No país árabe, os índices são ainda mais graves e não se comparam com as mortes registradas no Ceará.

O Truco nos Estados – projeto de checagem da Agência Pública, realizado também no Ceará – buscou informações na base de dados do Banco Mundial para apurar a declaração do candidato. Os dados mais recentes sobre as mortes na Síria são de 2016.

Naquele ano, o índice de mortes violentas naquele ano foi, portanto, de 240,3 casos/100 mil habitantes. Morreram 44.303 pessoas no país árabe, conforme número estimado pelo Departamento de Pesquisa sobre Conflitos de Paz da Universidade de Uppsala, na Suécia, e reproduzido pelo Banco Mundial. A base de dados informa ainda que a Síria tinha população de 18,4 milhões em 2016.

Na estimativa do Observatório para Direitos Humanos da Síria, a situação é ainda mais grave. O órgão estima que foram 49.742 mortes em 2016 nos conflitos. Se considerarmos esse número, o índice vai para 269,8 assassinatos/100 mil habitantes.

Nesse mesmo ano, o índice foi de 39,8 assassinatos/100 mil habitantes no Ceará. Foram registradas 3.566 mortes violentas intencionais, que englobam homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Os números são do Anuário da Segurança Pública de 2018.

General Theophilo participou da série de entrevistas do grupo O Povo e fez críticas à política de segurança do atual governador, Camilo Santana FOTO: Reprodução

Em 2017, ainda com base no mesmo levantamento, os assassinatos registrados no Estado aumentaram e chegaram a 5.332 casos. A taxa foi de 59,1 mortes violentas/100 mil habitantes. Com o aumento, o Ceará saiu do 11º unidade da federação com a pior taxa de assassinatos e saltou para o 3º estado com o pior índice. O número é expressivo, mas não se compara com os registrados na Síria.

O Observatório para Direitos Humanos da Síria diz que foram cerca de 39 mil mortes no ano passado. Isso daria uma taxa de 213 mortes/100 mil habitantes, considerando o número da população total em 2017 na base de dados do Banco Mundial.

Nem o estado brasileiro com o maior índice de mortes violentas, o Rio Grande do Norte – que teve taxa de 68 assassinatos/100 mil habitantes  em 2017 – chegou perto do registrado na Síria no último ano. Por essa razão, o Truco atribui o selo “falso” à declaração do candidato General Theophilo.

A assessoria de comunicação do candidato foi indagada por e-mail sobre qual fonte o General usou para embasar a afirmação. Posteriormente, após a conclusão da checagem, a equipe foi informado do selo atribuído, mas não respondeu nenhuma das mensagens.

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