Luiz Marinho exagera desperdício na rede da Sabesp
Paulo Pinto/Agência PT
PT - Luiz Marinho

Luiz Marinho exagera desperdício na rede da Sabesp

Petista afirmou que 31,2% da água tratada pela empresa se perde no caminho até o consumidor, mas número é menor

Saneamento

Anna Beatriz Anjos
2 minutos

“O desperdício na rede de água da Sabesp é de 31,2%.” – Luiz Marinho (PT), em debate na TV Gazeta.

O candidato do PT, Luiz Marinho, criticou o serviço prestado pela Sabesp no estado durante debate promovido pela TV Gazeta. De acordo com ele, 31,2% da água tratada é desperdiçada na rede de distribuição da companhia. O Truco nos Estados – projeto de fact-checking da Agência Pública – constatou que a informação é exagerada. O desperdício existe, mas não é tão grande como apontou Marinho.

Há dois indicadores que medem falhas nos sistemas de abastecimento. Um deles reúne as perdas reais (ou físicas), ou seja, a quantidade de água disponibilizada para distribuição que não chega aos consumidores por conta de vazamentos, por exemplo.

O outro informa as perdas aparentes (ou comerciais), equivalentes ao volume de água efetivamente consumido pelo usuário, mas, por alguma razão, não contabilizado pela operadora – as ligações clandestinas, mais conhecidas como “gatos”, encaixam-se nessa categoria. O Truco considerou que o termo “desperdício”, utilizado por Marinho, refere-se ao primeiro significado, já que diz respeito à quantidade de água não entregue aos usuários por conta de problemas na estrutura de fornecimento.

A assessoria de imprensa do candidato não comunicou a fonte da informação citada no debate, mas a própria Sabesp divulga dados sobre o assunto. Segundo a empresa, em 2017 – dado mais recente –, o índice de perdas reais na rede foi de 20%, número significativamente menor do que o mencionado por Marinho.

A Sabesp calcula também o índice de perdas de micromedição, equivalente à diferença entre o volume total de água tratado nas estações e disponibilizado para distribuição e a soma dos volumes registrados nos hidrômetros dos imóveis, ou seja, a quantidade de água que efetivamente chega ao consumidor. Esse número reflete as perdas ocorridas no caminho até o usuário final, que se dividem ainda entre reais e aparentes. O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), organizado pelo Ministério das Cidades,  confere outro nome ao mesmo medidor: Índice de Perdas na Distribuição. De acordo com a Sabesp, o índice de perdas de micromedição em 2017 foi de 30,7%.

A Sabesp possui um programa de redução de perdas no sistema de fornecimento, por meio do qual pretende atingir um índice relativo à micromedição de 29,3%, que corresponderia a um nível de perdas reais em torno de 18,9%. Em 2015, único ano em que a companhia conseguiu bater a meta, o desperdício total, somando-se os desvios reais e aparentes, chegou a 28,5%, enquanto as perdas reais ficaram em 18,7%.

 

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