RS Boato
Bandeira LGBT não substituiu a do Brasil em escola de Pelotas, como diz corrente

Bandeira LGBT não substituiu a do Brasil em escola de Pelotas, como diz corrente

Texto compartilhado por WhatsApp e Facebook afirma que bandeira do Brasil foi substituída por símbolo LGBT. Hasteamento, de fato, ocorreu durante atividades de conscientização contra a homofobia, mas não houve uma troca de bandeiras

Boatos educação Gênero

Taís Seibt
4 minutos

“[Eduardo Leite e Paula Mascarenhas] foram os responsáveis por SUBSTITUIR a bandeira do Brasil, por uma bandeira do movimento LGBT nesta mesma escola”, diz corrente que circula nas redes sociais.

Circula pelo WhatsApp e em páginas de apoio a Jair Bolsonaro (PSL) no Facebook uma campanha para que eleitores do capitão para a presidência da República não votem em Eduardo Leite (PSDB) para o governo gaúcho. “Se você é Bolsonaro, não deveria votar em Eduardo Leite”, diz a mensagem, em letras maiúsculas, e passa a enumerar razões para não eleger o tucano no Rio Grande do Sul. Desde que anunciou apoio a Bolsonaro, Leite vem sendo criticado por apoiadores do militar da reserva.

Entre os motivos elencados para desmotivar eleitores de Bolsonaro a optarem por Eduardo Leite estão questões relacionadas à causa LGBT. “Lembremos que em Pelotas, Eduardo Leite e Paula Schild Mascarenhas foram os responsáveis pela criação de uma secretaria para os direitos LGBT; por colocar um travesti em uma escola municipal de renome para ministrar palestras sobre gênero; foram os responsáveis por SUBSTITUIR a Bandeira do Brasil, por uma bandeira do movimento LGBT nesta mesma escola”, diz um trecho da mensagem.

 

Em uma das postagens, em página pró-Bolsonaro, o texto alcançou 78 compartilhamentos

 

O Truco nos Estados – projeto de checagem de fatos da Agência Pública, feito no RS em parceria com o Filtro Fact-checking – verificou que, de fato, uma bandeira com as cores do arco-íris foi hasteada no Colégio Municipal Pelotense em meio a atividades de conscientização contra a homofobia. No entanto, não houve a troca de uma bandeira pela outra.

De acordo com Arthur da Silva Katrein, diretor do Colégio Pelotense – uma das mais tradicionais escolas municipais de Pelotas, com mais de 3 mil alunos e um século de história – o ato ocorreu durante a programação da Semana da Diversidade, em novembro do ano passado. Portanto, já com Paula Mascarenhas (PSDB) na prefeitura – ela sucedeu Eduardo Leite, do mesmo partido, que governou a cidade de 2013 a 2016. A atividade não se restringiu ao Colégio Pelotense – também ocorreu o hasteamento de uma bandeira LGBT no campus Pelotas do Instituto Federal de Educação (IFSul), cuja administração não é vinculada com o município, mas sim, à União

“Não foi arriada a bandeira nacional para o hasteamento da outra. A bandeira LGBT foi hasteada em um mastro vazio”, esclareceu o diretor, em entrevista por telefone. Katrein também comentou a repercussão de um vídeo publicado no canal do youtuber Rafinha BK,  sobre a palestra com travestis, que fez parte da mesma programação. BK é identificado com movimentos da direita e apoiou candidatos do partido de Bolsonaro nesta eleição. “Houve uma supervalorização do episódio, que ocorreu dentro das diretrizes curriculares, para alunos do ensino médio, e supervisionado por educadores”, destacou o diretor.

Consultada sobre o tema, a assessoria de Eduardo Leite reiterou que a palestra em questão integrou a Semana da Diversidade 2017 de Pelotas, organizada por diversas entidades – Grupo Também; ONG Gesto; Núcleo de Gênero e Diversidade da Universidade Federal de Pelotas (Nuged); Comissão Especial de Diversidade Sexual e Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção Pelotas; Grupo Diversus (grupo interdisciplinar de estudos em gênero e diversidade sexual do Colégio Municipal Pelotense); Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). O evento teve apoio não só da prefeitura de Pelotas, mas também do governo do Estado.

Ainda sobre este tema, a corrente erra ao afirmar que o tucano e sua sucessora foram responsáveis pela criação de uma secretaria para os direitos LGBT. Não há uma secretaria de direitos LGBT na estrutura administrativa da prefeitura de Pelotas. Uma emenda à lei orgânica nº 90, promulgada pelo então presidente da Câmara Municipal em novembro de 2015, quando Leite ainda era prefeito, aprova a criação do Conselho Municipal de Direitos da Cidadania LGBT, porém este nunca foi formado.

O texto também menciona questões ligadas à formação de Eduardo Leite no exterior após término de seu mandato em Pelotas. O Truco nos Estados também checou essas informações.

Eduardo Leite acerta: plano de recuperação fiscal aumenta dívida do RS
Eduardo Leite - PSDB
Eduardo Leite acerta: plano de recuperação fiscal aumenta dívida do RS

Em debate na Federasul, tucano ressaltou que os R$ 11 bilhões que podem deixar de ser pagos à União por três anos terão de ser quitados no futuro, acrescidos de juros. Ainda assim, o ex-prefeito de Pelotas afirma ser favorável à medida

Acordo pode deixar R$ 11 bi no RS, mas valor será cobrado com juros
José Ivo Sartori - MDB
Acordo pode deixar R$ 11 bi no RS, mas valor será cobrado com juros

Em programa de TV, José Ivo Sartori (MDB) defende regime de recuperação fiscal para desafogar os cofres públicos, porém ignora que o valor é uma estimativa – e terá de ser pago com juros mais tarde

RS Boato
De fato, Eduardo Leite participou de encontro com Barack Obama
De fato, Eduardo Leite participou de encontro com Barack Obama

Em 2017, Fundação Obama convidou 11 jovens brasileiros para um encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos – entre eles, estava o ex-prefeito de Pelotas. Corrente nas redes sociais usa o fato para desqualificar apoio do tucano a Bolsonaro

RS Candidatos - Rio Grande do Sul