Doria exagera ao acusar França de ter sido líder de Lula no Congresso
Leon Rodrigues/ASCOM-PMSP
PSDB - João Doria

Doria exagera ao acusar França de ter sido líder de Lula no Congresso

Embora tenha comandado bloco de partidos que apoiava medidas do ex-presidente, governador nunca ocupou liderança do governo como deputado federal

Política

Anna Beatriz Anjos
3 minutos

“[Márcio França foi] líder do Lula no Congresso Nacional pelo seu partido, pelo PSB” – João Doria (PSDB), em entrevista à Rádio Jovem Pan.

No dia seguinte ao fim do 1º turno, João Doria (PSDB) acusou seu adversário na disputa pelo governo de São Paulo, Márcio França (PSB), de ter sido líder do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional enquanto deputado. O Truco nos Estados – projeto de checagem de fatos da Agência Pública – constatou que a frase é exagerada – ou seja, traz uma informação superdimensionada sobre um fato verdadeiro. Embora França tenha comandado um bloco de partidos que apoiava políticas adotadas pela administração petista, ele jamais ocupou o cargo de líder do governo.

A assessoria de imprensa do candidato indicou três links como fontes da declaração, dois deles com reportagens da Folha de S.Paulo e do Correio Braziliense. As matérias jornalísticas versam sobre o bloco formado na Câmara dos Deputados por PCdoB, PDT, PHS, PMN, PRB e PSB, mais conhecido como “Bloquinho” – em 2007, havia 71 parlamentares eleitos por esses seis partidos. Uniões desse tipo dão mais poder para legendas com pouca representatividade na Câmara, que conta com 513 deputados federais. Os líderes de blocos com mais de 52 deputados podem pedir o adiamento de votação de propostas em regime de urgência ou apresentar emendas para proposições que estão sendo votadas em segundo turno, por exemplo.

De acordo com o Correio Braziliense, essas legendas decidiram unificar sua atuação partidária em prol “de um projeto nacional de desenvolvimento orientado para o fortalecimento da soberania do país, a ampliação da democracia, a justiça social e a integração continental”. Ainda segundo o jornal, o grupo lançou, em junho de 2007 – primeiro ano do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva –, um documento com 16 pontos básicos, nos quais alguns endossavam ações como o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), bandeiras da administração petista.

De fato, Márcio França – deputado federal por duas legislaturas consecutivas, de janeiro de 2007 a janeiro 2015 – foi líder do “Bloquinho”. Informações enviadas por e-mail pela própria Câmara dão conta de que isso aconteceu em quatro ocasiões: de 1º de fevereiro de 2007 a 14 de junho de 2007; de 28 de junho de 2007 a 8 de agosto de 2007; de 1º de fevereiro de 2009 a 10 de fevereiro de 2010 e de 5 de outubro de 2010 a 31 de janeiro de 2011. No entanto, durante seus mandatos enquanto deputado, França, filiado ao PSB desde 1988, não ocupou nenhuma vez a liderança do governo Lula, o que contraria a afirmação de João Doria.

O terceiro link enviado pela equipe de comunicação do tucano contém um vídeo publicado no YouTube em 22 de setembro de 2008. Nele, o rival de Doria neste 2º turno aparece ao lado de Bruno Klimke, que na época concorria à prefeitura de Ilha Comprida, no litoral sul de São Paulo, pelo Democratas. Em meio a falas de apoio ao candidato, França diz que é “líder do PSB na Câmara dos Deputados e membro do Conselho Político do presidente Lula”. O conselho ao qual o governador se referiu no vídeo era formado pelos presidentes dos partidos que compunham a base aliada do então governo do petista – naquele período, França presidia o PSB de São Paulo, por isso integrava o grupo.

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