Skaf acerta dado sobre esgoto devolvido ao Rio Tietê
José Cícero da Silva/Agência Pública
MDB - Paulo Skaf

Skaf acerta dado sobre esgoto devolvido ao Rio Tietê

Aproximadamente 40% do esgoto coletado por municípios localizados ao longo do Tietê é despejado no rio, sem tratamento

Saneamento

Anna Beatriz Anjos
4 minutos

“40% do esgoto que é captado é jogado no Rio Tietê.” – Paulo Skaf (MDB) em entrevista à TV Tem.

Em entrevista à TV Tem, afiliada da Rede Globo na região de Jundiaí e Sorocaba, o candidato do MDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, foi questionado sobre os problemas de saneamento no interior do estado. De acordo com ele, 40% do esgoto coletado pelos municípios ao redor do Tietê acabam despejados no próprio rio. O Truco nos Estados – projeto de fact-checking da Agência Pública – verificou a declaração e constatou que é verdadeira.

A assessoria de imprensa do emedebista informou que a informação advém do Relatório de Qualidade das Águas Interiores do Estado de São Paulo 2017, divulgado neste ano pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que inclui um apêndice sobre números de saneamento nas cidades paulistas. O complemento mostra os rios que recebem o que resta do esgoto dos municípios após coleta e tratamento. Segundo o estudo,  as seguintes cidades lançam o esgoto remanescente direto no Rio Tietê: Salto, Barueri, Biritiba-Mirim, Carapicuíba, Embu das Artes, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Santana de Parnaíba, Suzano, Taboão da Serra, Porto Feliz, Tietê, Arealva, Barra Bonita, Igaraçu do Tietê e Itapura. Já no caso de São Paulo, Cabreúva, Laranjal Paulista e Barbosa, o relatório aponta o Tietê e mais alguns de seus afluentes como seus corpos receptores. A tabela indica Itaquaquecetuba como o único município cuja carga poluidora não é enviada totalmente ao Tietê – parte dela vai para o Rio Parateí, integrante da bacia do Rio Paraíba do Sul.

Somente com os dados do estudo, entretanto, não é possível calcular a proporção de esgoto despejada no Rio Tietê. O levantamento traz o destino dos efluentes por município, mas mostra tanto o que vai diretamente para o Tietê como o que é dispensado em córregos ou rios que nele deságuam. De acordo com o levantamento da Cetesb, esse é o caso das cidades de Salesópolis, Guarulhos, Itu, Conchas, Anhembi, Botucatu, São Manuel, Mineiros do Tietê, Macatuba, Dois Córregos, Jaú, Pederneiras, Itapuí, Boracéia, Bariri, Itaju, Iacanga, Ibitinga, Reginópolis, Borborema, Uru, Novo Horizonte, Pongaí, Cafelândia, Sabino, Sales, Adolfo, Promissão, José Bonifácio, Penápolis, Planalto, Glicério, Coroados, Buritama, Birigui, Araçatuba, Sud Menucci, Pereira Barreto e Andradina. Dessas, a última é a única a despejar apenas parte de seus resíduos no Rio Tietê, pois apenas um dos três córregos que os recebem é seu afluente – os outros dois desembocam no Rio Paraná. A Cetesb também colocou na lista o município de Castilho, mas a reportagem apurou que os córregos São Roberto e Guatapará, receptores de seus dejetos, afluem, na verdade, para o Rio Paraná.

Em nota, a companhia informou ao Truco que, do universo de 64 municípios que lançam seus efluentes no Rio Tietê, 86,5% do esgoto gerado é coletado. Desse total, 60,5% é tratado. Portanto, nesse contexto, 39,5% do esgoto coletado acaba lançado nos corpos de água, número muito semelhante ao citado por Skaf. Para 61 das 64 cidades, o destino final desses efluentes é o Tietê; no caso de Itaquaquecetuba e Andradina, o rio recebe apenas parte deles. Já Castilho deve ser desconsiderado.

A Cetesb chama a carga poluidora que sobra e é lançada pelos municípios em córregos, rios e ribeirões, após a coleta e o tratamento, de Demanda Bioquímica do Oxigênio (DBO) Remanescente, expressa em KgDBO/dia. Castilho tem DBO Remanescente de 132 KgDBO/dia; Andradina, de 615 KgDBO/dia; e Itaquaquecetuba, de 17.994 KgDBO/dia.

Também segundo o órgão, em Andradina, a maior parte da população se concentra na área urbana, cujos efluentes são despejados no Tietê – os demais corpos hídricos, pertencentes à bacia do Rio Paraná, recebem apenas lançamentos de distritos esparsos da cidade. Em Itaquaquecetuba, a situação é parecida: a carga poluidora relativa à maioria da população urbana drena para o Tietê, e uma pequena parte do município encaminha o esgoto para outro rio. Já a DBO Remanescente de Castilho é direcionada totalmente para córregos também integrantes da bacia do Rio Paraná.

A DBO Remanescente de Castilho, no entanto, representa apenas 0,025% da gerada nos 64 municípios ao longo do Rio Tietê, correspondente a 513.673 KgDBO/dia. Por isso, não tem impacto significativo sobre o volume de 39,5% de DBO Remanescente lançado no Tietê.

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